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27 de Junho de 2016


'A beleza do [indígena] morto' e o agronegócio em Mato G. do Sul


Fonte: http://www.ippri.unesp.br/#!/noticia/512/a-beleza-do-indigena-morto-e-o-agronegocio-em-mato-g-do-sul/

Michel de Certeau estudou no texto "A beleza do morto" (1995) um procedimento das políticas culturais com relação aos subalternos, que consiste em tornar objeto de interesse a cultura de um grupo cujo risco para o status quo foi eliminado. Primeiro se reduz o grupo, depois se recupera sua cultura, já pasteurizada. "No início, há um morto", diz o autor francês, e depois preservam-se as ruínas. O morto do qual falamos hoje é uma prática, o ñandereko, uma maneira de viver dos Guarani e Kaiowa. Mas também nos referimos aos próprios Guarani-Kaiowá que teimam em viver o ñandereko. Falemos, por exemplo, em Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos, pai de família e agente de saúde, morto com duas balas na cabeça no dia 14 de junho, enquanto socorria um ferido durante o ataque de pistoleiros à retomada indígena de Caarapó, na fazenda Yvu, ao sul do estado de Mato Grosso do Sul.



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